Salários femininos seguem abaixo dos masculinos
Diferença salarial entre sexos é menor em entidades sem fim lucrativo
A diferença salarial entre homens e mulheres continua sendo uma realidade no mercado de trabalho brasileiro. No entanto, um novo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que essa desigualdade é significativamente menor nas entidades sem fins lucrativos.
Os dados fazem parte do Cadastro Central de Empresas (Cempre) e revelam que, enquanto nas empresas privadas as mulheres recebem apenas 78,1% da remuneração dos homens, nas organizações sem fins lucrativos esse percentual sobe para 95,3%.
O estudo reforça o debate sobre igualdade de oportunidades e mostra que determinados setores conseguem reduzir a diferença salarial de forma mais consistente.
Diferença salarial é menor em organizações sem fins lucrativos
Segundo o IBGE, as mulheres que atuam em entidades sem fins lucrativos recebem, em média, R$ 3.589,82 por mês.
Já os homens ganham R$ 3.768,81.
Na prática, isso significa que a remuneração feminina corresponde a 95,3% da masculina, o melhor resultado entre todos os segmentos analisados.
As entidades sem fins lucrativos incluem organizações sociais, fundações privadas, sindicatos, instituições religiosas, condomínios e associações diversas.
Empresas privadas apresentam maior desigualdade
O levantamento aponta que o setor empresarial concentra a maior diferença salarial entre homens e mulheres.
Nas empresas brasileiras, os homens recebem em média R$ 3.838,67 por mês.
As mulheres recebem R$ 2.996,79.
O resultado mostra que a remuneração feminina equivale a apenas 78,1% da masculina, ampliando a distância salarial observada no mercado formal.
Administração pública também apresenta diferença
A pesquisa mostra que a desigualdade não está restrita à iniciativa privada.
Na administração pública, que engloba os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nas três esferas de governo, as mulheres recebem 82% dos salários pagos aos homens.
A remuneração média feminina é de R$ 4.967,51.
Entre os homens, o valor médio chega a R$ 6.058,19.
O que explica a redução da diferença salarial?
De acordo com a pesquisadora Caroline Santos, gerente de Análise e Disseminação do IBGE, o resultado observado nas entidades sem fins lucrativos merece estudos mais aprofundados.
Entretanto, algumas hipóteses podem ajudar a explicar a menor diferença salarial.
Uma delas está relacionada à forte presença feminina em áreas como assistência social, saúde e serviços comunitários.
Além disso, muitas dessas organizações possuem estruturas de gestão mais voltadas para inclusão e diversidade.
Segundo especialistas, setores com maior participação feminina tendem a apresentar menor disparidade de rendimentos.
Lei da Igualdade Salarial continua em foco
A discussão sobre a diferença salarial ganhou ainda mais relevância após a sanção da Lei nº 14.611, em julho de 2023.
A legislação determina igualdade salarial entre homens e mulheres que desempenham a mesma função.
Apesar disso, fatores estruturais continuam influenciando os rendimentos médios.
Entre eles estão a menor presença feminina em cargos de liderança, interrupções de carreira ligadas à maternidade e diferenças na ocupação de setores econômicos.
Brasil tem mais de 10 milhões de empresas e organizações
O levantamento mostra que o Brasil possuía 10,6 milhões de empresas e organizações ativas em 2024.
Juntas, elas empregavam cerca de 68 milhões de pessoas.
Desse total:
- 9,5 milhões eram empresas;
- 1,1 milhão eram entidades sem fins lucrativos;
- 59,4 mil pertenciam à administração pública.
Além disso, o número total de organizações cresceu 12,5% desde 2022, demonstrando expansão da atividade econômica no país.
Cenário reforça debate sobre igualdade
Os dados divulgados pelo IBGE mostram que o Brasil ainda enfrenta desafios importantes para reduzir a diferença salarial entre homens e mulheres.
Por outro lado, os números das entidades sem fins lucrativos indicam que avanços são possíveis quando há maior equilíbrio na composição dos quadros profissionais e políticas voltadas à inclusão.
A tendência é que o tema continue no centro das discussões sobre mercado de trabalho, diversidade e desenvolvimento econômico nos próximos anos.



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